Doce Brasil #projetodoceBrasil

Para descobrir nossa doce identidade e compreender melhor o que é doçaria e confeitaria no Brasil, vou percorrer todo o país em busca das respostas. Na primeira temporada caçamos frutas nativas e nos jogamos nas quitandas mineiras!

por Joyce Galvão - 19/08/2019

O Brasil é rico em sabores e conhecemos pouco sobre nossos ingredientes. Também é escasso o conhecimento sobre a nossa história com o doce e a importância dele para a nossa cultura. Aliás, o que é doçaria brasileira? Qual a verdadeira confeitaria do Brasil? Há anos tento responder a essas duas perguntas.

E foi buscando compreender a existência de uma confeitaria brasileira e os caminhos que nós, confeiteiros, precisamos seguir para encontrar um futuro melhor para a nossa profissão, que decidi percorrer o Brasil atrás da nossa história, da nossa cultura, dos nossos ingredientes e das receitas tradicionais, que podem transformar o futuro da confeitaria no Brasil.

 

No primeiro episódio eu te convido a viajar comigo para conhecer três produtores de frutas nativas brasileiras. Vamos descobrir juntos a importância dessas frutas para o futuro da nossa confeitaria!

Percorri mais de 1000 km pelo interior de São Paulo para descobrir uvaia, grumixama, aguaricará e pitangatuba, frutas nativas do Brasil tão desconhecidas por nós e que dificilmente dividem espaço com frutas que, apesar do alto consumo, não são da nossa terra: abacate, banana, laranja, limão, mamão, manga, maçã, melancia ou melão.

Por isso, conversei com Helton Muniz, um dos maiores colecionadores de frutas nativas e exóticas do Brasil, Douglas Bello, do Sítio do Bello e Adhemar Gomes da Silva, colecionador de frutas raras com mais de 60 tipos de jabuticaba, para entender melhor porque é tão difícil o acesso a elas. te convido a viajar comigo e juntos descobrir o que é a confeitaria brasileira!

Você conhece a produção de um VERDADEIRO sorvete artesanal? No segundo episódio visito uma FAZENDA DE SORVETE e mostro todo o processo de produção: da ordenha das vacas até a casquinha.

Aliás, qual a diferença entre gelato e sorvete? Artesanal, caseiro e industrial? Foram essas as perguntas que me fizeram ir até Santo Antônio do Pinhal conversar com a Renata e o Marcos, donos da Eisland e apaixonados por sorvete.

Lá eu descobri que o verdadeiro gelato (ou sorvete, em português) começa no amor e respeito à natureza, cuidando do bem-estar dos animais para que produzam o melhor leite e consequentemente o melhor sorvete. Aproveitei também para provar um gelato de doce de leite com macadâmia, fresquinho, recém-saído da máquina e com toda a matéria prima e processos produzidos na fazenda, do zero!

Cozinhar é a arte de se conectar e gira ao redor de um ingrediente. Por trás de todo ingrediente existe uma pessoa com uma história interessante, como a Renata e o Marcos que falam com muito carinho da terra, do fazer artesanal de qualidade e em como manter tudo isso vivo em um mercado tão industrializado e, em um país que valoriza tão pouco seus artesãos.

Segundo eles mais apaixonado pelo chocolate, o chocólatra, está o apaixonado por sorvete. O sorvetólatra! Você concorda?

No terceiro, o primeiro de 4 episódios em Minas Gerais, vou mostrar como é feito um doce de leite artesanal no tacho de cobre, lá em São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto.

Começamos a viagem em São Paulo, no Aeroporto de Congonhas a destino de Belo Horizonte. De lá pegamos a estrada rumo à São Bartolomeu, a cidade que basicamente se resume a uma rua, e conhecida especialmente pelos doces artesanais de corte (ou tijolo) feitos em tachos gigantes de cobre, como o doce de leite!

Apesar dos perrengues na estrada fizemos uma parada no curioso Museu Jeca Tatu, onde encontramos um pão de queijo delicioso e seguimos pela BR, ávidos por descobrir o que o Sr. Vicente, a Dona Serma e a Doquinha tinham para nos contar e mostrar de seus doces.

Logo que chegamos já fomos surpreendidos com um tacho de cobre gigante, e não deu nem tempo de pensar: a lenha já estava no jeito para ser acesa. Num piscar de olhos o leite com o açúcar já foram pro tacho e a Doquinha, com sua pá de madeira, começou a mexer o doce de leite em um processo que durou cerca de 2 horas.

Visto o começo da produção do doce de leite, totalmente artesanal, seguimos para forrar o estômago com uma comidinha bem mineirinha, no restaurante Ouro da Mata.

Energias renovadas voltamos para bater um dedo de prosa e ver de perto todos os doces de produção artesanal na lojinha do Sr. Vicente, hoje comandada pelo seu filho Eduardo. Lá além dos doces produzidos por eles, são vendidos os produtos de outros doceiros da associação.

Você sabia que o fazer artesanal de doce é patrimônio cultural e imaterial de Ouro Preto, tombado em 15 de abril de 2008 pelo o decreto de número 1096? Com o selo de patrimônio a cidade passou a atrair mais turistas, fortalecendo o ofício dos doceiros e mantendo viva uma tradição de mais de 3 séculos!

O doce tem um papel fundamental na vida dos moradores da cidade. É uma herança rica em cultura, passada de pai para filho, e que continua vencendo as dificuldades e mudanças. Por isso precisa ser valorizado e divulgado. Só assim a história da doçaria brasileira será mantida viva!

Com o carro abastecido de doces enfrentamos mais uma vez uma estrada com chuva a destino de Congonhas. Lá vamos conversar com quitandeiras, acompanhar o 19° Festival de Quitanda e mostrar tudo para você no próximo episódio!

Mais uma viagem por esse Doce Brasil para descobrirmos juntos o que é doçaria no Brasil e compreender o futuro da confeitaria brasileira!

No quarto episódio do Doce Brasil vamos conhecer a cidade de Congonhas e a Quitanda Mineira, com direito a receita de Bolo de milho! No final do dia te convido a tomar um caldo quentinho e ouvir uma moda de viola na noite que abre o 19 ° Festival de Quitanda.

Vou mostrar nessa viagem por Minas Gerais o que fazer em Congonhas, berço de um expressivo conjunto de riquezas de arte barroca do maior artista do gênero do Brasil: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Começamos visitando o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos composto pelas seis capelas do Jardim dos Passos, assinado por Burle Marx, a Basílica de Bom Jesus e os 12 profetas esculpidos em tamanho real, em pedra sabão. Todo este conjunto foi tombado pela UNESCO em 1985, transformado assim em patrimônio cultural da humanidade.

Depois fomos visitar o Museu de Congonhas, em frente à Alameda das Palmeiras, para entender melhor toda a história da cidade e de suas obras. A dica é: comece pelo museu e só então siga para o Santuário.

Após o passeio por Congonhas Minas Gerais fui com a Juliana Bonomo, grande estudiosa e defensora da quitanda mineira, visitar a Juraci e a Liliam, quitandeiras participantes do Festival de Quitandas. Na visita aprendemos a fazer um bolo de milho, tomamos um cafezinho e batemos um bom dedo de prosa enquanto elas se preparavam para o festival.

Após esse dia delicioso fomos tomar um caldo quentinho e ouvir uma moda de viola na noite que abre o 19° Festival de Quitanda em Congonhas. A chuva não foi suficiente para afastar o público, que animado, lotou o evento. Ê trem bom!!!!

Não tem como querer entender a formação de uma moderna confeitaria brasileira sem compreender melhor a doçaria brasileira. Por isso seguindo o Projeto Doce Brasil, fui a Congonhas em Minas Gerais conferir o 19° Festival de Quitanda Mineira de Congonhas e conhecer de perto a doçaria mineira.

Você sabe o que é quitanda? Para buscar as respostas certas entrevistei a Juliana Bonomo, pesquisadora de cozinha Brasileira e Doutoranda em História pela USP. Se você se interessa por confeitaria, quer entender a história da confeitaria no Brasil e aprofundar seus conhecimentos em quitanda mineira, esse vídeo é para você!

A pesquisa que a Juliana vem realizando vai além de páginas escritas e guardadas em uma biblioteca. O objetivo do seu trabalho é patrimonializar o ofício das quitandeiras, e para isso ela conta com a parceria da Secretaria de Cultura de Congonhas.

Participe do festival de quitandas de Congonhas! Venha conhecer e degustar o Cubu, o chá de Congonha, a planta que deu nome à cidade, e valorize os doces brasileiros e a nossa cultura!

Vamos juntos? Afinal, o Brasil é doce! 

As músicas do Doce Brasil

Amamos música. E adoramos uma trilha sonora para nos inspirar ainda mais a percorrer estradas e destinos. Confira a seleção musical que nos impulsionou na primeira temporada do Doce Brasil.

 

Feche os vidros do carro, aumenta o volume e cante como se ninguém estivesse por perto!

COLOQUE A MÃO NA MASSA TAMBÉM!

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