A cozinha das escritoras
A cozinha das escritoras

A cozinha das escritoras

Cinco autoras vão convidar você a cozinhar de maneira leve, sem expectativas ou pretensões. Nesse papo com a comunicadora Lena Mattar, falamos sobre suas autoras preferidas, confira!

por Joyce Galvão - 04/11/2020

Em um novo episódio do Clube do Livro nas lives que acontecem esporadicamente no instagram, conversei com a comunicadora Helena Mattar sobre suas divas da culinária! Além de nos contar detalhadamente sobre seus livros favoritos, pedi para que ela indicasse bons títulos para presentear. Veja só a lista da incrível Lena!

Diana Henry

Diana Henry é uma escritora irlandesa que, aos 16 anos, fez um intercâmbio para a França e não conseguiu passar ilesa sobre a cultura gastronômica. A comida francesa teve um efeito poderosíssimo sobre a jovem que, na época, escreveu cadernos e mais cadernos cheios de menus que sonhava um dia poder fazer, e que resultaram no livro How to eat a peach.

Após o período na França, Diana formou-se em jornalismo e se mudou para Londres, onde trabalhou como produtora de TV em alguns programas de culinária. Estar envolvida diariamente com comida e viver em uma cidade cosmopolita, rodeada de ótimos restaurantes, fez com que as lembranças da França retornassem para a autora que, dali em diante, tornou-se uma das maiores autoridades em livros de culinária da Inglaterra.

São mais de 12 títulos publicados, muitos prêmios conquistados e mais de 4000 livros em sua biblioteca particular, tornando Diana Henry a companhia perfeita para cozinhar. São particularidades na escrita de Diana que conquistam o leitor e geram uma grande conexão para os cozinheiros esporádicos!

Que tal testar novas receitas? São 3 títulos em português (não mais reeditados, então aproveite para garantir o seu):

Salgado, Doce E Defumado: esse livro apresenta receitas básicas e inovadoras de geleias, doces de frutas, molhos, pastas, mostardas etc, além de mostrar como preparar conservas no azeite, confits, carnes e peixes curados e defumados, bebidas e muito mais.

Leve, Saudável, Delicioso: Diana relata suas experiências com as dietas da moda e conta como aprendeu a evitar alimentos processados e a investir em criativas refeições caseiras à base de vegetais e frutas frescas, para promover uma transformação no paladar.

Assado, frito, ensopado: é um livro dedicado ao frango com várias receitas de como fazer a ave de diversas maneiras, com ingredientes simples e do dia-a-dia. O livro é dividido em sessões divertidas e tentadoras: receitas reconfortantes, o que fazer com as sobras, etc

E mais títulos importados, premiados e deliciosos de ler, mesmo em inglês, e com bons preços no formato de ebook. Lena indica: How to eat a peach Simple.

Nina Horta

Nina Horta, a principal cronista de comida no Brasil, passou pela nossa conversa também com seus dois livros publicados pela Companhia de Mesa: O Frango Ensopado da minha mãe e a nova edição do livro, lançado em 1994, Não é Sopa com comentários atualizados da própria Nina, falecida em 2019.

Nina era mestre em trazer para a comida outros universos: filmes, pessoas do seu cotidiano, literatura, escritores… A banqueteira tinha o poder de transformar receitas ordinárias em textos envolventes e divertidos, nos transportando a lugares, sabores e memorias envolventes, sem deixar de lado uma de suas características mais marcantes: o deboche e desprezo pelo esnobismo culinário!

 

Gabriella Barreto

A chef Grabriela Barreto também foi indicada pela Lena, através do seu livro Como Cozinhar sua preguiça.

Gabriela é uma chef discreta, formada pela Le Cordon Bleu, de Paris, com passagem por restaurantes na França, na Itália, na Espanha e na Argentina. Seu estilo de cozinha foi construído por experiências completamente alheias à vida profissional. Uma delas foi a viagem que fez de carro, com um ex-namorado, de São Paulo a Ushuaia, no extremo sul da Argentina. Durante todo o percurso de ida e volta, Gabriela acampou e cozinhou na fogueira usando somente três utensílios: uma frigideira, uma panela e um escorredor. Depois de dois meses e meio, 17 mil quilômetros rodados e um carro (Polo) em frangalhos, voltou para casa certa de que o fogo tinha papel primordial em suas receitas.

A sua escrita é leve, poética, sensível e envolvente. As receitas do livro são muito simples, gostosas, os ingredientes falam por si e são tratados basicamente, com fogo.

O livro contém 50 receitas, entre elas a salada de batata, favorita da Lena, e a minha, mandioca na chapa. Todas com acompanhamentos tão simples quanto, como a coalhada que dividem o protagonismo com abobrinhas grelhadas, beterrabas assadas e muitas outras preparações. As fotos, do Gui Galembeck, acompanham a poesia de Gabriela com perfeição.

 

Paola Carosella

O fotógrafo Jason Lowe que morava na Inglaterra e fotografou os livros de Diana Henry, é marido de Paola e também assina as lindas fotografia de Toda as Sextas.

A master chef Paola Carosella, proprietária do restaurante Arturito e da rede de empanadas La Guapa, conta sobre sua vida de maneira íntima, compartilhando seu percurso na gastronomia e da sua vida com a mãe até deixar a Argentina ao aceitar um emprego em São Paulo, onde fixou suas raízes e assinou o sucesso de sua carreira.

O livro apresenta receitas certeiras, algumas de preparo demorado mas muito bem explicadas para garantir o sucesso de uma boa refeição.

Ruth Reichl

Ruth Reichl é uma americana que começou a carreira trabalhando em um restaurante comunitário em uma comunidade hippie na Califórnia. Após se apaixonar por comida tornou-se jornalista e critica gastronômica dos principais veículos americanos – L.A. Times e New York Times. Foi editora de uma das principais revistas americanas – a Gourmet magazine – que inclusive rendeu o livro Banquetes Intermináveis com introdução e curadoria de Reichl, reunindo os melhores textos dos 60 anos da revista.

Os três livros apresentados na conversa com a Lena falam da vida de Ruth e são entremeados por receitas, claro!

A parte mais tenra: conta sobre sua infância, a relação difícil com a mãe e, como a gastronomia foi entrando em sua vida até chegar no início da juventude.

Conforte-me com maçãs: um dos preferidos de Lena, conta a mudança de Ruth Reichl, agora jovem, para a Califórnia. Vivendo o movimento hippie, a jornalista conta as aventuras ao morar em uma casa comunitária, onde ela passou a se interessar por comida.

A autora compartilha os sentimentos conflituosos de viver em um comunidade hippie e gastar muitos dólares para comer em restaurantes. Foi esse sentimento que fez Ruth abrir um restaurante comunitário e, sem resistir mais, iniciar definitivamente a sua vida na gastronomia.

Alhos e Safiras: é um livro de muito sucesso, muito engraçado, que conta quando Ruth deixa de ser a crítica do Los Angeles Times e é convidada para ser a crítica do New York Times. Em uma época que ser crítico era extremamente prestigioso, em que os jornais tinham verba suficiente para permitir que os críticos comessem nos melhores restaurantes, bebendo os melhores vinhos, Ruth precisa criar diversos disfarces para não ser reconhecida pelos restaurantes, resultando em histórias penetrantes e extremamente íntimas.

Esses títulos infelizmente não foram reeditados e portanto, se tiver sorte, você só encontrará em sebos. Entretanto, as edições em inglês seguem em venda pelos links acima!

PARA OUVIR LENDO

Uma cadeira, sofá ou poltrona confortável acompanhada de um livro e sua bebida favorita. Pode ser uma taça de vinho, uma xícara de chá ou chocolate bem quente, você escolhe!

 

Abra o livro, dê o play, um volume suave, a luz perfeita e esqueça do mundo! O momento agora, é só seu!

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