8 livros para refletir sobre o Cozinhar
8 livros para refletir sobre o Cozinhar

8 livros para refletir sobre o Cozinhar

Você já parou para pensar no ato de cozinhar? Algo que deveria estar tão intrínseco no ser humano tem corrido o risco de simplesmente se limitar a poucos profissionais e, em especial, à indústria. Convido você, através dos livros, a refletir sobre aquilo que nos tornou humanos: o cozinhar!

por Joyce Galvão - 10/10/2020

Inspirada no encontro que promovo no instagram através do meu Clube do Livro, cujo tema foi “Cozinhar”, fui através de diversas bibliografias que me auxiliassem em descobrir uma definição mais objetiva sobre o ato de cozinhar.

Instigada por muitos autores que me fizeram refletir (e perder o sono) sobre o tema, compartilhei esses pensamentos através de um encontro, que você pode conferir aqui, estendendo a essa curadoria de livros que compartilho com aqueles que desejam, assim como eu, ir um pouco além do simples ato de cozinhar!

Boa leitura!

Cozinhar | Michael Pollan

O jornalista Michael Pollan foi eleito um dos homens mais influentes do mundo pela revista Time. Sua principal busca é o conhecimento da origem dos alimentos que consumimos, e da forma como comemos, tema central do livro Cozinhar.

Para escrever o livro, Pollan mergulhou na cozinha e aprendeu, com a ajuda de churrasqueiros, padeiros e chefs profissionais, toda sabedoria que se esconde por trás de um perfumado pão ou de uma carne suculenta. Através desse estudo ele pode refletir sobre o simples ato de cortar cebolas e principalmente, sobre a transformação dos alimentos, dividindo seu livro (e também sua série Cooked) em capítulos que levam os nomes dos quatro elementos essenciais no ato de cozinhar: fogo, que essencialmente diferenciou o homo sapiens dos animais; água, que moldou a cozinha caseira; ar, para falar sobre pães, o alimento produzido mais antigo da humanidade; e terra, para cozinhar sem fogo, ar ou água.

Pollan mais do que afirmar sobre o cozinhar nos convida, através de uma narrativa pessoal, a refletir sobre nossa evolução na cozinha (ou estamos regredindo?):

“Existe atividade menos egoísta, trabalho menos alienado, tempo menos desperdiçado do que aquele gasto preparando algo delicioso e nutritivo para quem você ama?”

Muito além de apenas enxergar o ato de cozinhar como um gesto de dedicar algo a alguém, o jornalista vai além, para ele cozinhar “significa sermos obrigados a lembrar que todas essas coisas (comidas) não são apenas produtos, na verdade, nem mesmo são “coisas” de fato.”

Em dias que, diante de uma vida atribulada, as pessoas pensem cada vez mais em comida mas, se dediquem menos ao ato de cozinhar, Cozinhar é uma leitura obrigatória para qualquer pessoa que queira se conectar ao alimento, à sua transformação e deseje alcançar uma alimentação mais saudável e sustentável.

You and I eat the same

Onde quer que você esteja no mundo, a comida é um pilar de familiaridade e união. Esse é um tema pioneiro na literatura, na televisão e nas nossas vidas. Entretanto, You and I eat the same: on the countless ways food and Cooking connect us to one another mergulha de maneira mais profunda no tema, colocando na mira a comida como ideia de unidade cultural e política.

O autor e editor Chris Ying une diversas histórias e ensaios com o objetivo de entregar uma mensagem muito clara e simples: somos melhores quando somos inclusivos. Inclusive a capa representa diferentes culturas desenhadas pela visão de um mundo em que compartilhamos juntos, lado a lado, nossas culturas.

É obviamente uma visão muito esperançosa para os tempos que vivemos, mas You and I eat the same é um claro lembrete que a comida é o que nos une, e que apesar de estarmos perdendo o apreço pelo ato de cozinhar, são os chefs que estão na linha de frente mantendo nosso otimismo sobre a alimentação do futuro.

René Redzepi, fundador do simpósio MAD conduz essa antologia no prefácio: cozinhar é nossa maior conexão humana e, resistir a tudo que não seja a inclusão total não é apenas lutar contra a história, é lutar contra a natureza humana.

Uma aula sobre humanidade tendo como foco principal o alimento de nos nutre, nos mantem vivos e, essencialmente, nos conecta!

Cozinha: uma questão de amor, arte e técnica | Hervé This / Pierre Gagnaire

Cozinha reúne a expertise de um químico francês, criador da “cozinha molecular” e do gênio da gastronomia francesa, colocadas a serviço de uma investigação que se inclina mais para o campo da arte, da estética e do prazer.

Nesse livro, This se aplica a estudar não apenas a química, mas os aspectos sociais da comida, em especial aspectos simbólicos e culturais, como o amor do ato de cozinhar.

Cozinha é artesanato ou arte? Através de personagens como Aristóteles, Lacan, Kandisnky e Malraux, os diálogos bem-humorados vão te fazer refletir sobre o ato de cozinhar e o status no qual ele é colocado. Especialmente para os confeiteiros que buscam uma identidade culinária nacional, diante do peso da cultura e do desenvolvimento futuro, Cozinha é um livro que vai garantir ótimas reflexões!

O que iremos comer amanhã?

O que iremos comer amanhã? Você sabe me responder, sem pensar muito? Comeremos essencialmente verduras e legumes frescos, orgânicos, ou nos alimentaremos de pílulas e alimentos impressos em 3D?

Warren Belasco trata de um tema de extrema urgência: a preocupação profundamente enraizada da humanidade em relação ao futuro da alimentação. Em O que iremos comer amanhã o autor cobre mais de duzentos anos – desde romances e filmes futuristas até os parques de diversão da Disney, a arquitetura de supermercados e restaurantes, mercados de agricultores orgânicos e debates sobre engenharia genética – e proporciona material suficiente para refletirmos sobre o futuro da alimentação.

 

Gastrophysics: the new science of eating | Charles Spence

Gastrophysics estuda todos os sons, imagens e sabores que nos fazem gostar de um alimento e, querer comer mais. Explica porque comemos 35% mais quando estamos acompanhados e 75% mais quanto jantamos com mais de uma pessoa (alô ceia de Natal!).

Como explicar as pessoas que gostam de café forte bebem mais sob iluminação forte? Que o ketchup verde não funciona? A cor vermelha das redes de fast food? A resposta está na Gastrophysics, uma nova área da ciência sensorial criada pelo professor da faculdade de Oxford, Charles Spence.

O nosso prazer na comida é influenciado por todos os nossos sentidos, bem como por nosso humor e expectativas. Os prazeres da comida residem principalmente na mente, não na boca. Com isso fica claro entender o que realmente torna a comida agradável, estimulante e, o mais importante, memorável.

Spence revela com detalhes divertidos a importância de todos os elementos “fora do prato” de uma refeição: o peso dos talheres, a cor do prato, a música de fundo e muito mais. Quer estejamos jantando sozinhos ou em um avião ou na frente da TV, ele revela como entender o que estamos saboreando e influenciar o que os outros experimentam.

Gastrophysics é um livro fascinante para qualquer pessoa curiosa em descobrir sobre nossa vida sensorial cotidiana, com a garantia de fazer você olhar para o seu prato de uma maneira totalmente nova.

Comida para pensar pensar sobre el comer

Comida para pensar, pensar sobre el comer é uma reflexão sobre a participação de Ferran Adrià na Documenta 12, de Vicente Todol, diretor do Tate Modern de Londres, e do pintor Richard Hamilton, pai da pop-art.

O livro reúne depoimentos, os debates, os textos e as mesas redondas entre artistas, chefs, críticos de arte e galeristas, personalidades do mundo da arte e da culinária, que tentam delimitar ou talvez apagar as fronteiras entre culinária e arte.

Além disso, Comida para pensar, pensar sobre el comer é um guia sobre todos os detalhes da intervenção de Ferran Adrià na documenta e as consequências que a imersão do chef no mundo da arte continua a provocar.

Para além destes conteúdos, o livro inclui também a maior e mais selecionada concentração de textos teóricos relacionados com a filosofia de elBulli, reconhecido por três anos consecutivos como o melhor restaurante do mundo.

Qué es cocinar | Bullipedia

Cozinhar é não só o ato que nos tornou humanos, mas talvez a única ação que evolui constantemente. Existem centenas de maneiras de cozinhar, de estudar a cozinha e de compreende-la nas mais diversas esferas humanas, tornando o “cozinhar” uma realidade extremamente complexa no século XXI.

Qué es cocinar é um livro complexo, completo que levanta muitas questões sobre o que é o cozinhar, entretanto sem dar respostas prontas. Afinal, quem decide o que é cozinhar, é você, leitor!

O cru e o cozido | Lévi-Strauss

Em um mundo em que todos querem ter opinião sobre tudo (e estar certo sobre ela), Lévi-Strauss traz a paz por acreditar que o mote da sabedoria é a constante dúvida! Essa é a fonte de pensamento do lumiar da antropologia do século XX e uma das maiores influências nos estudos acadêmicos no Brasil.

Publicado originalmente em 1964, O cru e o cozido de Claude Lévi-Strauss analisa um conjunto de mitos de diferentes povos indígenas do continente americano através de uma lógica nada arbitraria de ver e pensar o mundo, que se expressa não por categorias abstratas – como os conceitos utilizados pela ciência -, mas por categorias empíricas como “cru”, “cozido”, “podre”, “queimado”, “silêncio”, “barulho”.

Nesse livro foram analisados 187 mitos coletados por diversos pesquisadores entre povos indígenas do Brasil. Todos os mitos utilizados referem-se “direta ou indiretamente à invenção do fogo e, portanto, da cozinha, enquanto símbolo no pensamento indígena. Da passagem da natureza à cultura” (Lévi-Strauss, Minhas palavras, São Paulo, Brasiliense, 1986, p. 51).

Em O cru e o Cozido você poderá compreender que o cru é a metáfora da natureza e o fogo, da cultura. Animais comem carne crua, homens, carne cozida. O que os mitos dizem é que houve um tempo em que essa relação estava invertida: com o roubo do fogo os homens transformam-se em caçadores e os animais, em caça.

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